Todos fazemos uso da voz sem nos apercebermos o quão ela é importante para a nossa vivência diária.

É a forma de comunicação mais imediata e eficaz do ser humano e modificámo-la segundo os contextos em que estamos.

 Como cuidar, então, deste instrumento tão valioso que possuímos?

 

MITO 1

"A Terapia da Fala só serve para pôr as pessoas a falar direito.”

 

O terapeuta da fala pode apoiar recém-nascidos, crianças, adultos e idosos, nas mais variadas áreas de intervenção.

São elas:

  • Comunicação verbal e não-verbal;
  • Linguagem;
  • Fala (que inclui a articulação, voz, respiração e fluência).
  • Deglutição e alimentação;
  • Motricidade e sensibilidade orofacial;

 Qualquer um de nós num determinado momento da sua vida pode vir a necessitar do apoio por parte de um terapeuta da fala!

MITO 2

“A Terapia da Fala não vale a pena antes dos 3 anos.”

Antes de produzir a primeira palavra, o bebé passa por um período pré-linguístico, durante o qual adquire uma série de competências essenciais para o seu desenvolvimento, como por exemplo, a interação social e o interesse pelo outro, o uso de gestos como o apontar e o “adeus”, o contacto ocular, a atenção conjunta, a compreensão de vocabulário e a produção de vocalizações.

Na eventualidade de algumas destas aquisições não estarem presentes nos momentos esperados, poderá ser necessária a avaliação e intervenção por parte do terapeuta da fala. Não irá ser trabalhada imediatamente a fala, mas sim um conjunto de competências essenciais ao desenvolvimento da comunicação e da linguagem, que irão preparar a criança para produzir e usar palavras.

Assim sendo, a Terapia da Fala vale muito a pena e pode fazer toda a diferença antes dos 3 anos de idade!

MITO 3

“Os terapeutas da fala só brincam com as crianças.”

Durante o acompanhamento de crianças, e para quem assiste às sessões, parece realmente que o terapeuta da fala está a brincar com a criança. Na verdade, na Terapia da Fala, recorre-se aos jogos e aos brinquedos como estratégias para trabalhar objetivos de intervenção.

De facto, o terapeuta da fala pode brincar com a criança levando-a a:

  • Aprender e desenvolver novo vocabulário;
  • Desenvolver competências sociais e comunicativas;
  • Aprender a produzir e pronunciar novos sons;
  • Envolver-se em conversas;
  • Contar e inventar histórias, entre outros.

Com o brincar o terapeuta da fala consegue obter da criança toda a motivação e o envolvimento necessários para a ajudar a encarar novos desafios e experiências, e aprender competências que, sem jogos e brincadeiras, poderiam ser mais difíceis de assimilar!

MITO 4

“O terapeuta da fala não pode prevenir a minha rouquidão”

Os profissionais da voz cantada (cantores) e falada (professores, médicos, entre outros) utilizam diariamente a voz como instrumento de trabalho. Como tal é pertinente a adoção de estratégias no sentido de reduzir o mau uso vocal que poderá desencadear a rouquidão e consequentes lesões nas cordas vocais como nódulos, pólipos. Assim, o terapeuta da fala:

  • Fornece um conjunto de exercícios de aquecimento e desaquecimento vocal;
  • Faculta informação acerca dos cuidados diários a ter com a voz desde a hidratação/alimentação à influência do contexto na qualidade vocal;
  • Realiza, juntamente com o paciente, exercícios de colocação e projeção vocal.

 

 

 

Sendo a Terapia da Fala uma valência nova neste agrupamento, e que em muito contribuí numa perspetiva de trabalho multidisciplinar, foi proposto e criado o projeto “Tertuliando com a Terapia da Fala”. Assim, para além do trabalho efetuado diretamente com os alunos com Perturbação do Espetro do Autismo e, numa perspetiva de potenciar os recursos humanos existentes, esta é mais uma forma de alargar à comunidade escolar e público em geral a importância deste profissional. Neste espaço poderá encontrar informações e temáticas relacionadas com as áreas de intervenção do terapeuta da fala sendo que informação será atualizada pontualmente.

Terapeuta da Fala Susana Monteiro